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29 de outubro de 2026 · por Diego Cupertino

Aluguel de data center: o que é colocation, o que está incluso e o que avaliar antes de contratar

Quem tem servidor próprio chega num ponto em que o armário da empresa para de servir. Falta U no rack, a tomada da sala não aguenta mais um equipamento, o ar-condicionado foi calculado para gente e não para máquina ligada 24 horas. Aí começa a busca por aluguel de data center, e a conversa trava na primeira pergunta: o que exatamente se aluga?

Colocation é isso: espaço em rack, energia, refrigeração, rede e segurança física para instalar um equipamento que é seu. Housing e locação de datacenter são o mesmo serviço com outro nome. O servidor continua sob a sua administração. Quem opera o data center responde pelo que está em volta: tomada, frio, link, IP e portaria.

Diagrama: o que compõe o aluguel de um rack em data center e o que não está incluso
Os quatro blocos que formam o preço de um rack: espaço, energia, rede e gente no local. Embaixo, o que fica fora do contrato.

O que compõe o aluguel de um rack

Todo contrato de colocation tem cinco componentes, e é a soma deles que vira preço: espaço em U, energia, rede, acesso físico e remote hands. Quem compara propostas olhando só a mensalidade compara coisas diferentes.

O U é a altura do rack padrão de 19 polegadas, 4,45 cm cada. Quando a proposta diz “1U”, é altura de rack, não capacidade de processamento. Os formatos usuais são 1U e 2U para uma máquina só, meio rack de 20U para quem já tem servidores, storage e switch próprios, e rack inteiro de 42U para quem monta a própria infraestrutura. No 1U a energia é limitada pelas fontes do equipamento. No rack inteiro ela é dimensionada pelo consumo medido, e a porta pode chegar a 10 Gbps, com BGP e os seus blocos anunciados pela nossa rede.

A cotação começa pela lista do que vai entrar: modelo, altura em U, quantidade de fontes e consumo. Sem esses números ninguém fecha espaço e energia direito, e é por isso que os valores de colocation no Rio de Janeiro e em São Paulo saem no atendimento.

Energia: o item que decide o preço

Energia é o que mais pesa. O data center paga pela capacidade elétrica instalada e pelo consumo, e repassa isso. Por isso 1U com duas fontes de 400 W custa uma coisa e meio rack com consumo medido custa outra bem diferente.

O que importa não é só quantos watts vêm, mas de onde vêm. Dois circuitos por equipamento, com cada fonte numa régua separada, é o mínimo para que a manutenção de um quadro elétrico não derrube o servidor. Se as duas tomadas saem da mesma régua, você tem duas tomadas e não redundância, e já vi proposta vendendo isso como “energia redundante”.

Nobreak e gerador cobrem o resto: a concessionária pisca, a bateria segura até o gerador assumir. Aqui o SLA de energia e rede é de 99,99% em contrato, em ambiente com corredor frio e quente, temperatura e umidade controladas.

Rede, IPs e o que a porta de 1 Gbps significa

Porta de 1 Gbps full sem franquia quer dizer que o limite é a porta, não um pacote de tráfego. Tem fornecedor que anuncia “100 Mbps” e entrega porta de 1G com banda limitada em contrato. Quem descobre a diferença é o backup noturno: o job que levaria quarenta minutos leva cinco horas.

Do lado de fora do rack, a Mega tem rede própria com AS270439, os blocos 200.11.120.0/22 e 2804:6c00::/32, presença no PTT Rio e no PTT São Paulo e trânsito por mais de uma operadora. Quem já tem ASN pede sessão BGP e continua anunciando os próprios IPs. Quem não tem recebe IPv4 e um bloco IPv6 inclusos.

Latência eu prefiro medir a prometer. Sondas independentes medem de hora em hora o ping de Vivo, Claro, TIM, Oi e Algar até cada praça, e o número fica publicado na página de colocation. Data center que não mostra latência medida está pedindo que você acredite na palavra dele.

Remote hands: o que a equipe do data center faz

Remote hands é a mão de obra de quem já está no prédio fazendo o que você faria se estivesse lá: reiniciar a máquina, trocar um cabo, plugar monitor e teclado, gravar um pendrive com imagem, conferir LED de fonte.

A cobrança é por hora e sob demanda no 1U e no 2U. O meio rack inclui 2 horas por mês e o rack inteiro, 4 horas, sem acúmulo. Antes de assinar, pergunte se há cobrança de deslocamento e se o atendimento é 24 horas. Se a resposta for “só em horário comercial”, você está sozinho no momento em que mais precisa de alguém.

O que o remote hands não faz é administrar o seu servidor. Instalar sistema operacional, configurar IXC, MK-Auth, Hubsoft ou Opa, integrar com MikroTik: isso é do seu técnico ou do fornecedor do sistema. No colocation a máquina é sua e a responsabilidade sobre o que roda dentro dela também. Quem quer máquina administrada vai de servidor dedicado.

Antes de contratar: o que eu perguntaria ao data center

  • As duas fontes vão em réguas separadas? Se a resposta enrola, a redundância é de papel.
  • A energia tem franquia de watts? O que acontece se o consumo passar?
  • Quantos IPv4 vêm e qual o tamanho do bloco IPv6?
  • Quem está no prédio às 3h da manhã: equipe própria ou terceirizada?
  • Posso visitar e ver o rack antes de assinar? A resposta diz muito sobre o resto.
  • O SLA é escrito e o que acontece quando não é cumprido?

Contrato também pesa: colocation mensal, pré-pago e sem fidelidade é o padrão saudável. Prazo longo só se justifica quando existe energia dedicada e investimento do lado do data center.

Perguntas que sempre chegam

Colocation, housing e locação de datacenter são a mesma coisa?

São. Mudam os nomes, não o serviço: espaço em rack, energia, refrigeração, rede e segurança física para um equipamento que é seu.

Posso começar com 1U e crescer depois?

Pode, e é o caminho mais comum. Você entra com o servidor que já tem e, quando chega o segundo, migra para meio rack. O que muda é a energia disponível e o remote hands incluso.

Preciso levar meu switch e meu PDU?

Só se precisar de gestão própria de portas ou de tomada medida por equipamento. No 1U e no 2U a energia vem pelas réguas do rack e a conectividade pela porta do data center.

O que eu faria no seu lugar

Antes de pedir proposta, eu mediria o consumo real do equipamento com um medidor de tomada por uma semana. A etiqueta da fonte diz o máximo que ela suporta, não o que a máquina puxa de verdade. Esse número, com modelo, altura em U e fontes, faz a proposta voltar certa de primeira.

Se o servidor existe, está bom e aguenta mais dois ou três anos, colocation ganha de qualquer aluguel de máquina: você paga espaço, energia e rede, sem comprar hardware de novo. Se a máquina precisa ser trocada, a conta muda e o servidor dedicado passa na frente. Se o problema nem é hardware, e sim um sistema que já não cabe no escritório, a VPS em nuvem resolve por uma fração do custo.

Formatos de 1U a rack inteiro, praça e o que vem incluso estão na página de colocation e aluguel de rack da Mega.

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